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Eleições JSD/M III

A amizade que tenho por ambos candidatos, permite-me fazer algumas considerações sobre as reais possibilidades, não falei nem falarei de "capacidades". Ambos têm um percurso como o da maioria dos dirigentes da "minha geração", permitam-me que lhe chame minha.
A Vânia Jesus passou pela concelhia de Santa Cruz, subiu ao Secretariado Regional, depois Secretária-Geral e tem desempenhado um papel fundamental na articulação entre as concelhias e a Comissão Política Regional. É uma peça chave na logística e organização da CPR, para além do seu trabalho enquanto Deputada à Assembleia Regional.
O Francisco Nunes é outro contemporâneo, esteve ligado aos Estudantes Sociais Democratas do Ensino Superior, é daí que me lembro dele, depois passou pela concelhia do Porto Moniz, subiu à Comissão Política Regional e ao Secretariado e presentemente presidente à Mesa. Nas funções que desempenhou manteve uma estreita colaboração com as concelhias e tal como a Vânia, foi uma peça fundamental na logídtica e organização das JSD.
A candidatura da Vânia parte em vantagem sobre qualquer outra, pois o contacto priviligiado com as concelhias, permite-lhe sentir o pulso à sua pessoa e ao seu projecto. Graças a isso consegue reunir apoios mais facilmente e passar a sua mensagem com maior rapidez.É uma pessoa extremamente competente e dedicada à JSD, não o reconhecer, é falta de carácter.
O projecto político do Francisco Nunes, pelo que me foi dado a conhecer, assenta na luta por ideias e na defesa de "bandeiras" da juventude, tem um discurso agressivo, contagiante mas está algo distante das bases, apesar de presidir à Mesa.
Suponha-se que pudesse ter o apoio dos Conselheiros Regionais, mas segundo o que sei, muito por causa do modo como decorreram os últimos trabalhos, isso tornou-se mais difícil, quanto ao apoio das concelhias, parece-me difícil de lá chegar.
Segundo a comunicação social, o Francisco aguardava pelo resultado da eleição dos delegados para tomar eventualemente uma decisão, que poderá surgir apenas em congresso.
Se tempos houve em que este silêncio seria uma forma de pressionar e negociar uma eventual coligação, agora parece-me tarde, e não deverá restar-lhe grandes alternativas a não ser avançar, nem que seja por uma questão orgulho.
Se ele queria realmente disputar o congresso, tinha que conduzir os trabalhos no último Conselho Regional de outra forma, mais imparcial, ou até mesmo pedir que fosse um dos seus Vice-Presidentes a dirigir os trabalhos, de modo que pudesse ele próprio falar, apresentar as suas ideias e projectos, contestar o que não concordava. Desse modo teria outras condições.
Teria também outras condições se apresentasse listas de delegados ao Congresso, nas eleições que agora decorrem, não pode contar apenas com o hipotético apoio do seu concelho e de Machico. É preciso mais.
Nas eleições que decorrem nestes dias, e se as concelhias mantiverem o apoio demonstrado à Vânia, são eleitos os delegado ao Congresso, que garantem-lhe à partida uma eleição tranquila.
Mas nada está decidido, pela primeira vez enquanto militante da JSD, o Congresso será o palco de todas as decisões, lá vão jogar-se todos os trunfos, e mesmo que o Francisco não avançe com uma candidatura à liderança, não acredito que não apresente lista própria ao Conselho Regional.
Se isso acontecer haverá muitas negociações, e alguns delegados mais indecisos, podem ser captados para uma lista alternativa, haverá muito jogo de bastidor e no final da contagem pode suceder algo de inédito na Madeira, a equipa que ganha a Comissão Política Regional, o Conselho de Jurisdição e a Mesa pode não ganhar o Conselho Regional.
Vamos esperar para ver, ainda falta muito tempo e nada pode ser considerado como adquirido.

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